A tarde de domingo não parecia estar muito diferente. Valendo a vantagem para o segundo jogo da Taça Cidade de Belém, o jogo entre Remo e Paysandu já causava nervosismo muito antes da torcida entrar no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão. Mãos faziam figa, dedos se cruzavam e gestos religiosos se repetiam na longa fila que se formava em ambos os lados do maior palco do futebol paraense.
Em um jogo marcado pelas duas equipes dominando cada tempo da partida, os torcedores foram do céu ao inferno em 90 longos minutos. Do lado remista, João Silveira não parava de gritar. “Não é possível que a gente não consiga marcar um gol! Tem que abrir essa lateral! Tem que abrir o jogo”, berrava João, enquanto se segurava na proteção das cadeiras. A angústia do remista se tornou desespero quando o Paysandu marcou seu gol e calou o elétrico João. Dali em diante, os gritos deram lugar a sussurros. “Não é possível... Desse jeito a gente vai tomar o segundo. Tem que mudar isso aí”, implorava o fanático torcedor.
No lado bicolor a cena era completamente oposta. Cláudio Limeira, torcedor inveterado do Papão, começou o jogo mais afoito com a situação do clube. “Estamos deixando dominar! Isso é que não pode fazer. Quem joga pelo empate são eles, nossa obrigação é ganhar”, disse o bicolor. A confiança veio depois do gol, quando Cláudio pulou na arquibancada comemorando a vitória parcial do clube.
No final da partida, Limeira se juntava ao resto da torcida do Paysandu cantando e comemorando a clara vitória, enquanto João seguia atônito, esperando o milagre que ele podia não saber, mas aconteceria.
Quando a rede balançou, o quieto João explodiu em comemorações, emendando gritos de gol e campeão correndo pelas escadas e desaparecendo na rampa em direção ao mar azulino. Limeira teve seu turno de ficar sem palavras e após um período paralisado, tentando entender o que havia acabado de acontecer, deu de ombros e seguiu resmungando que seu time tinha entregado o jogo.
Diário do Pará
