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| (Foto: Ney Marcondes) |
A chuva que desabou sobre Belém não ajudou muito aqueles que estavam com o pé atrás do jogo. O clima mais frio foi propício a deixar boa parte das pessoas em casa, o que acabou gerando um caminho estranhamente livre até o Mangueirão. Já dentro do estádio, o que era atípico começou a parecer surreal. Rampas com poucos torcedores, nem sinal dos vendedores do famoso “churrasco de gato” ou até mesmo aquele som alto dos carros que já preveem uma vitória do clube de coração.
“Isso daqui é um Re-Pa mesmo?” Indagava um jovem ao pai que andava do seu lado. O garoto não estava muito errado, pois Paysandu e Remo de fato entraram em campo, mas fora dos gramados, poderia ter sido considerado um jogo do campeonato Carioca entre Olaria e Bangu. A magia que vem das arquibancadas se dissipou no ar como um resto de suco se dilui em um copo cheio de gelo.
Com a presença de pouco mais de 11 mil pessoas, o maior duelo do Norte do Brasil poderia facilmente ser encaixado em estádios menores, como Curuzu e Baenão, casa dos times em campo naquela tarde chuvosa. Difícil dizer que eram 11 mil torcedores de fato. A maioria dos que gritavam e balançavam as arquibancadas eram de organizadas. Aquelas mesmas organizadas que foram proibidas de entrar uniformizadas ou com bandeiras em estádios estavam lá, pulando e cantando enquanto o torcedor ficava em poucos espaços. Quando os portões se fecharam e era possível ver o total de torcedores, ficava difícil dizer o que tinha mais buracos, o gramado ou a arquibancada.
No lugar de barulho, silêncio imperava nos arredores. Talvez um grito de esperança em uma jogada perigosa ou até mesmo as comemorações dos três gols chamassem a atenção, mas não durava mais que alguns segundos. No apito final, os xingamentos de um lado ecoavam juntamente com a comemoração do outro, mas novamente nada durável.
No fim do jogo as rampas finalmente viram movimento. Infelizmente, a movimentação era grande apenas para ir embora e deixar o jogo no esquecimento.
Diário do Pará
