03 março 2013

Clube do Remo e Paysandu Sport Club reeditam o clássico Rei da Amazônia hoje, às 16h, no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, e a expectativa é imensa. Não há como fugir, ao final da contenda, um dos times levantará o troféu e comemorará como campeão diante da sua torcida. Para o Leão Azul, como tem sido todos os anos desde que ficou sem divisão para disputar, conquistar a Taça Cidade de Belém é mais do que orgulho ou motivo de comemoração – é questão de sobrevivência. Para ter calendário no segundo semestre, o clube precisa ficar à frente das demais equipes sem vaga no Brasileirão, e vencer o primeiro turno pode ser um passo decisivo nessa direção.
Para o Papão da Curuzu, a situação é realmente menos urgente. Com o retorno à Série B garantido e calendário para disputar até dezembro, ser campeão do primeiro turno do Parazão não estava entre as prioridades do torcedor bicolor nem da nova direção do clube. Mas duas situações conferem particular ânimo à torcida alviazul: a empatia time-torcida, que passou a cantar “o campeão voltou” das arquibancadas desde a goleada sobre o São Francisco, por 6 a 1, nas semifinais. O segundo é o gosto amargo e vontade de revanche que ficou após sofrer o empate no último lance do primeiro jogo. Perder ou empatar de novo não é mais opção.
As cartas estão na mesa. Os treinadores poderão contar com todos os seus jogadores, mas deixam um pouco de mistério em suas escalações. Quem comandará o ataque bicolor: Iarley ou Rafael Oliveira? E no Remo, Val Barreto começa jogando ou Flávio Araújo apostará mais uma vez em Leandro Cearense e Branco? Torcida empolgada, peças distribuídas, expectativa e muita fé para o Re-Pa de número 715, a primeira decisão do futebol paraense em 2013.

Papão muda, mas não confirma
A semana que antecede o terceiro Clássico Rei da Amazônia de 2013 não poderia ter fugido a temática que cerca a rivalidade. Do lado bicolor, a preparação foi uma das mais diferentes. Na reta final, quando se achava que o Papão encontraria o estilo de jogo adequado, nomes passaram da reserva para a titularidade, e outros decaíram, seja por lesão ou, principalmente, pela alta competitividade.
As mudanças começam a partir da defesa. O zagueiro Raul volta no lugar de Thiago Costa, Ricardo Capanema e Vanderson podem permanecer na cabeça de área, assim como Rodrigo Alvim e Yago Pikachu nas laterais. No meio-campo, Lecheva recebeu na sexta-feira a notícia da virose em Eduardo Ramos, que já rendeu a volta de Alex Gaibu, ao lado de Djalma. No ataque, a surpresa maior fica por conta das dores na coxa de Rafael Oliveira, abrindo caminho para a aguardada estreia de Iarley. Como os quatro foram relacionados, tudo poderá acontecer ou permanecer como estava.
Ainda existe a possibilidade de, no decorrer do jogo, Lecheva apostar num terceiro atacante para confrontar o esquema de três zagueiros do Remo, ou aproveitar a intensa troca de passes no meio campo de Gaibu, alternando com a correria de Djalma, escoltado pelos laterais. Mas a única certeza até aqui, é de um time competitivo, e obstinado.
“Falar que o Paysandu vai buscar a vitória soa até redundante, porque começamos assim todos os jogos, haja vista que somos o melhor ataque. Então, não vamos mudar, vamos desde o início buscar a vitória, ainda mais sabendo que só ela nos interessa”, ressalta o técnico, que prende a escalação na mente, mas recompensa com longas conversas em grupo.
“A consciência que tem que ser passada aos jogadores, mas isso eu nem precisava falar, pois todos sabem que só a vitória nos interessa. Mas ela precisa ser construída, organizada, não vamos achá-la de qualquer forma. Temos 90 minutos para fazer um gol e não tomar nenhum”, encerra.

Leão aposta no mesmo conjunto
Até a última sexta-feira (1º), o treinador Flávio Araújo ainda não sabia se poderia contar com o volante Jhonnatan, lesionado. Nata participou de todos os treinos no lugar dele, mas o volante foi liberado para atuar às vésperas do clássico.
As outras dúvidas eram o atacante Leandro Cearense e o lateral direito Walber, que tinham julgamento marcado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Pará, em função da expulsão de ambos na partida contra o Águia, em Marabá, pela última rodada da fase classificatória do primeiro turno. Leandro Cearense teve o julgamento adiado, porque havia um erro no documento da denúncia. Walber foi julgado e só advertido.
Com todos os jogadores disponíveis, Araújo deve repetir a mesma formação da equipe que empatou com os bicolores no jogo de ida. Se fizer alguma mudança, pode ser no ataque, com a saída de Leandro Cearense para a entrada de Val Barreto, por uma opção tática. “Será a concretização de um projeto. Tomei uma decisão de assumir o Clube do Remo para buscar o turno, o campeonato, porque entendo que pelo fato de ser um dos maiores clubes do norte e nordeste, não pode ficar sem série. Com esse titulo ficamos com praticamente 50% da vaga da Série D, uma vaga na Copa do Brasil e 50% do titulo”, diz o técnico.

Diário do Pará