Aos 30 anos, o meia Juliano, do Paysandu, passou por uma situação até então inédita na carreira: em um exame de rotina, foi diagnosticado que o jogador estava com problemas cardíacos – no caso, uma arritmia. Foram dias difíceis para o paulista, que ficou em Belém esperando mais um exame, neste caso ergométrico, para detectar se a arritmia era maligna ou benigna. Com a liberação dos médicos, Juliano pôde, enfim, juntar-se ao grupo bicolor, e treinou ontem (13) na Curuzu a parte física. Confira o bate-papo do jogador com o BOLA.
BOLA: Qual foi a primeira coisa que você fez hoje, logo ao acordar, antes de realizar o terceiro exame cardiológico após duas negativas dos médicos?
Juliano: Me acordei 7h30, me ajoelhei e rezei, porque sabia que o dia seria muito importante para a minha carreira, para a minha vida. Estava com pensamento positivo, porque tem que ser assim, pensamentos negativos atraem coisas ruins, e a coisa desandou. Foi um dia bem apreensivo, que definiu meu futuro. Graças a Deus deu tudo certo, minha família ficou feliz, meus companheiros me aplaudiram no vestiário, o presidente me ligou...
BOLA: Sem ter tido esse problema (arritmia cardíaca) detectado nos outros clubes em que você passou, como foi que você encarou a primeira negativa dos médicos em seus exames?
Juliano: Eu realmente não esperava isso, tanto que havia feito o mesmo exame em março, quando atuava no São José (SP), e não tinha dado nada. Acabei vetado, não podia fazer exercícios físicos. (Pausa) Foi horrível, tive que ficar sozinho num hotel, sem conhecer ninguém, não tinha com quem conversar.
BOLA: Você cogitou abandonar a carreira?
Juliano: Olha, deu um desânimo, não é fácil o que eu passei. O problema era o exame ergométrico. Fiz outros exames e fiquei mais tranquilo, pois sabia que as minhas arritmias não eram prejudiciais para minha saúde (benigna). Fiquei muito aliviado com o fim disso tudo, é uma emoção muito grande voltar a pisar num gramado.
BOLA: Quem foi a primeira pessoa que tu ligaste ao ser liberado pelos médicos?
Juliano: Liguei direto para a minha esposa, que estava até acompanhando meu filho, que estava jogando futebol, em Caxias do Sul (RS), onde ela e meus dois filhos moram – Julianinho e João Pedro. Ela (esposa) ficou muito feliz, chorou bastante, uma alegria imensa. Foi um desabafo que ela e minha família estavam sentindo. Sempre me passaram mensagens positivas e isso me ajudou bastante.
BOLA: Tu não tens algum tipo de receio em voltar a correr e praticar atividades físicas, considerando os incidentes recentes de morte súbita em jogadores de futebol, como no caso do jogador Serginho, do São Caetano, morto em 2004?
Juliano: Se eu ficar pensando nisso é complicado, vou acabar não rendendo. O receio é claro que sempre vai ter, por tudo que aconteceu, mas eu tenho que procurar fazer o meu trabalho.
BOLA: Vamos imaginar que você voltou no tempo, mais precisamente no dia em que você chegou à capital paraense – 28 de julho. Depois da liberação dos médicos, é um novo recomeço na sua carreira, não é?
Juliano: Nesse período já tava um tempo parado, e chego aqui ainda acontece isso, perdi a pré-temporada... Mas vou correr atrás do tempo perdido para, quem sabe, semana que vem já estar treinando com bola.
BOLA: O Roberto Fernandes cita o seu nome várias vezes em entrevistas, e lamentou bastante sua ausência momentânea. Vocês já trabalharam juntos em duas oportunidades (Ituano, em 2006; e Náutico, em 2009) e, pelas declarações, ele aposta muito no seu futebol para ajudar o Papão na Terceirona.
Juliano: Já trabalhamos juntos, ele é um treinador de ponta, entende muito de futebol. Como pessoa, então, não tenho nem o que falar. Ele que abriu a oportunidade de disputar um Brasileirão (com o Náutico). Pode ter certeza que eu vou ajudar ele e o grupo para, juntos, conseguirmos o acesso.
EM NÚMEROS
28 De julho. Foi a data em que Juliano chegou. Depois, foi detectado problemas cardíacos. Mas ontem ele se integrou ao elenco bicolor. (Diário do Pará)
14 julho 2011