Enquanto o dinheiro da Funtelpa não é liberado para os clubes que disputaram o Campeonato Paraense, o Remo segue enfrentando problemas devido aos atrasos de salários. O zagueiro Raul, 21 anos, ingressou na Justiça do Trabalho, reclamando o não recebimento de seus vencimentos há três meses. A diretoria azulina afirma que ainda não foi notificada sobre a ação, mas alega que a reclamação do jogador é uma tentativa de forçar a rescisão de seu contrato.
O diretor de futebol Francisco Rosas garante que o atraso ainda não completou três meses - tecnicamente o atraso seria de dois meses e meio, já que parte de abril teria sido pago. Ele revelou que pretende conversar com o jogador nos próximos dias para tentar fazê-lo mudar de ideia.
'Vamos ter uma conversa com o Raul e tentar mostrar a ele que o melhor para sua carreira é ficar no Remo. O Sinomar Naves (treinador) pretende contar com ele nesta fase de reformulação do elenco e isso significa que ele poderia sair do Remo no futuro bem mais valorizado', argumentou Rosas.
Raul, que tem contrato com o Remo até 30 de novembro, iniciou a carreira como profissional justamente sob o comando de Sinomar Naves, no Parazão 2010. Mas acabou caindo em desgraça depois de sua expulsão no primeiro jogo da decisão do primeiro turno, contra o Paysandu. A derrota por 4 a 2 e a posterior perda do título da competição causaram a queda do treinador.
Pouco aproveitado pelo técnico Giba Maniaes, que substituiu Sinomar no restante da competição, Raul acabou emprestado ao Atlético-PR. Não conseguiu se destacar no clube e retornou no início deste ano ainda em recuperação de uma grave contusão. Desde então, não jogou pelo Remo.
Agora, ele pretende se desvincular do Remo para acertar com sua transferência para outro clube, provavelmente o mesmo Atlético-PR. O pai do atleta já chegou a fazer uma proposta à direção azulina, abrindo mão de todos os salários atrasados e demais direitos trabalhistas em troca da liberação imediata do filho. Como não houve acordo, a única saída foi a via judicial.
Crise - Desde o inicio do ano, o Remo vem enfrentando uma forte crise financeira, que resultou em atrasos de salários. Insatisfeitos, os jogadores ameaçaram fazer uma greve, no início do segundo turno. A diretoria, porém, conseguiu contornar o problema e colocou em dia os salários. Mas a situação se agravou a partir de abril, quando apenas 50% dos vencimentos foram pagos. Agora, com maio e junho pendentes, o risco de perder jogadores formados no clube cresce a cada dia.
Outros - Pela legislação trabalhista, o jogador pode romper o contrato se comprovar na Justiça que houve atrasos nos pagamentos acima de 90 dias. A diretoria do Leão Azul alega que essa irregularidade não ocorreu. Desde o final de junho, no entanto, alguns jogadores do clube ameaçaram entrar com esse tipo de ação caso não recebessem seus vencimentos ou não fossem liberados para outros clubes - entre eles, o zagueiro Joãozinho, 18 anos, e os meias Betinho, 19 anos, e Reis, 18 anos.
Assim como Raul, os três são jovens atletas formados nas categorias de base do Remo. 'Estamos impacientes com esta situação, porque a gente só vê a diretoria negociando com os jogadores de fora. Temos uma proposta para jogar em outro clube, mas ninguém do Remo resolve nada. Parece que eles não estão nem aí pra gente. Por isso, já estamos pensando em entrar na Justiça assim que os três meses de salários atrasados estiverem completos', revelou Reis, confirmando o convite do Cincão Futebol Clube, de Londrina (PR) a ele e Betinho. 'É uma oportunidade muito grande para as nossas carreiras e queremos aproveitar este momento de qualquer jeito', concluiu.
Amazônia Jornal