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| Aarão Alves, Roberto Macedo Júnior, Manoel Maria, Alexandre Fávaro e o apresentador Carlos Ferreira |
Além disso, Manoel falou sobre a importância do futebol como instrumento de inclusão social. 'Tem muita criança que não tem o que comer. Muita criança pobre! Por isso e por outras coisas é importantíssimo uma psicóloga uma assistência social em um clube. O futebol dá uma grande mudança na vida de uma criança. De repente você começa a concentrar com um time, vê um monte de comida e lembra que não tem isso em casa. É muito frequente hoje você ter pequenos jogadores com fraturas por estresse. São os ossos que estão fracos', contou emocionado e completou: 'Dá pra mudar o futebol de base do Pará. Basta vontade!'.
Entre os atletas formados na base, um paraense foi lembrado. O meia Thiago Alves, de 17 anos, que nasceu em Marabá e saiu do Clube do Remo, por falta de contrato, para o Santos. 'Porque o Remo não contratou ele? Hoje, o Thiago é o próximo da vez do Santos. Um craque! E não foi aproveitado aqui. É um absurdo!', exclamou.
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| Manoel Maria |
Já o filho de Manoel Maria, Aarão Alves, que foi o técnico mais jovem do campeonato paulista, ressaltou a emoção de ver o próprio pai sendo homenageado em vida e falou sobre a formação da criança. 'Antes quero falar que estou emocionado por ver meu pai sendo homenageado em vida, o que é mais importante. Mas uma criança tem que brincar de jogar bola. Hoje, o técnico da base - que quer ser do profissional - usa este atleta para se promover e cobra muito, os pais também cobram e o que acaba acontecendo é que as crianças viram robôs', disse.
O agente da FIFA (Federação Internacional de Futebol), Roberto Macedo Júnior, ressaltou que os negócios que envolvem futebol de base são bons para os bolsos dos clubes e explicou como os atletas podem, pela lei, ficar em um clube. 'Hoje, temos o bolsa aprendizagem. Um atleta de 16 anos não pode assinar contrato. Os pais também não podem, porque as crianças não são mercadorias para serem vendidas. O que acontece é que uma bolsa aprendizagem, com ajuda de custo, assistência médica, psicológica e odontológica, além de outras coisas. Mas tudo isso por dois anos. Antes disso, o bolsa aprendizagem não pode garantir que um atleta fique em um clube. Mantém-se um atleta tratando-o bem!', exclamou.
O goleiro eleito Profissional Exemplar 2010, Alexandre Fávaro, ressaltou a importância do 1º Workshop sobre futebol de base do Pará. 'Hoje existem clubes estruturados que vivem da base. Um evento como este vai acrescentar ao futebol paraense. Para a situação que estamos, só vejo esta solução!', disse.
Frutos - Além de ter um primeiro debate sobre categorias de base no Pará, o workshop também resultou em proposta de educação para os atletas da base. Edivaldo Meirelles, que já dirigiu uma franquia do Flamengo-RJ direcionada à categoria de base, ofereceu uma parceira para garantir educação a jovens atletas. 'É só me contactar!', ressaltou.
Mas o momento de maior emoção, que chegou a levar alguns participantes às lágrimas, foi a história do jovem Élder Souza, que coordena, em meio a muita dificuldade - que chega a ser, inclusive, falta de água para beber -, o Vermelhão, um time voltado para a categoria de base. Após falar sobre sua volta por cima, depois de deixar a carreira de jogador para trabalhar em um mercado 'orbigado pelo pai', recebeu doações dos participantes, entre curso grátis de treinador pelo sindicato dos técnicos do Pará e doação de material esportivo, além da oportunidade de participar de campeonatos estaduais.
Público - Como um Workshop manda, o público interviu e inferiu ideias, como o dirigente do Paysandu, Isaías Burlamarque, que indagou: 'O clube tem que formar jogador para vender ou para ser campeão? Os melhores saem e são vendidos com 17, 18 ou 19 anos', lamentou.
Público do 1º Workshop sobre futebol de base do Pará
A resposta foi dada por Aarão Alves: 'Não temos que focar somente nos craques. Jogador que faz o básico vale também muito dinheiro, porque dá frutos para o clube, como um atleta que saiu do Santos, não foi aproveitado e foi campeão brasileiro como profissional pelo Fluminense', contou.
Manoel Maria completou: 'Pode sim contratar jogadores de fora, mas que sejam pessoas em condições de jogo. O que acontece hoje é a contratação de homens que vem para ganhar dinheiro. A partir de hoje, o conceito sobre futebol de base no Pará vai ser mudado!', exclamou.
Encerramento - O workshop deixou a mensagem de que este é somente o primeiro passo para o retorno do futebol paraense, como salientou o presidente da FPF (Federação Paraense de Futebol), Antônio Carlos Nunes. 'Parabéns! Este é o ponta pé incial. Que noite maravilhosa!', exclamou.
Assim como na abertura do 1º Workshop sobre futebol de base do Pará, emoção, risos e aplausos marcaram o momento e a esperança de bons ventos para o Estado que, como frisado por Manoel Maria, em entrevista na tarde desta segunda-feira (6), 'é um verdadeiro celeiro de craques'.
Portal ORM


