16 outubro 2011


Treinador retorna ao Souza disposto a devolver a Àguia do Souza à elite do futebol paraense em 2012

O bom filho à casa torna. Geralmente, com saudade e gratidão. É o caso de Samuel Cândido, que assumiu a Tuna - clube no qual iniciou a carreira de técnico, em 96 - para a disputa da 1ª Fase do Campeonato Paraense, que começa, para os lusos, no dia 23, contra o Bragantino, campeão da Segundinha. No discurso, além da confiança, transparece o comprometimento de Cândido e do grupo que ajudou a formar, com o objetivo de devolver a Águia à elite do futebol paraense. Para isso, porém, o técnico precisará superar as diferenças que ocorreram nestes 15 anos de ausência.

A Tuna é grande, atesta Samuel Cândido, que elege esse o principal motivo para voltar ao clube que abriu as portas para que iniciasse uma nova carreira após pendurar as chuteiras. "Quando parei de jogar futebol, trabalhei primeiro na Escolinha da Federação Educacional Infanto-Juvenil e depois tive uma curta passagem no Paysandu. Vim para a Tuna em 92 e em 96 tive minha primeira chance como técnico do time profissional. É um clube pelo qual tenho carinho muito grande", diz o técnico, que à época se dividia entre o profissional, a coordenação das categorias de base e os treinos do time sub-20.

A dúvida sobre as condições da Águia do Souza se justifica pelo jejum de títulos de elite que os cruzmaltinos vivem: dona de dez títulos paraenses, há 22 anos a Tuna não conquista uma taça. De lá para cá chegou em cinco finais, perdendo todas e vendo clubes de menor porte emergirem e até o campeonato ir pela primeira vez para o interior do Estado, mercado que hoje ameaça não só a Lusa, mas Remo e Paysandu. A pressão existe e é forte. "Costumo dizer aos atletas que a Tuna é o clube mais difícil que tem para se jogar. Falam que não tem torcida ou que cabe em uma kombi, mas um bom número de torcedores vem aos jogos, e com bons resultados eles se multiplicam. E quando o estádio não está lotado, se o atleta não estiver bem, ele vai ouvir as críticas. O atleta tem que estar bem preparado, bem equilibrado emocionalmente e concentrado em campo", explica Cândido.

Mas a pressão tem um motivo: mesmo em baixa, a Tuna é uma vitrine. E é nisso que o técnico aposta para seduzir atletas com quem quer trabalhar. "O clube é conhecido nacional e internacionalmente pelos atletas revelados aqui. É uma vitrine. Os atletas sabem que podem sair daqui e serem grandes nomes, como aconteceu com Giovanni, Paulo Henrique Ganso, Nonato, Gauchinho, Vélber. Mas para entrar nessa vitrine é preciso ter bons resultados e os atletas estão comprometidos conosco". A Tuna, mais uma vez, quer mostrar que faz jus ao seu hino, e monta mais um time para entrar para a história. (Amazônia Jornal)