O ano de 2011 caminhava para mudar radicalmente a vida do atacante Ró. Depois de trilhar em várias equipes medianas do Estado, logo no início do ano, teve sua grande chance no Baenão. O feito que o fez mudar as cores da camisa foi uma passagem fulminante no Independente, quando, em apenas três rodadas da primeira fase do Campeonato Paraense, já era o artilheiro do certame com quatro gols marcados. Além disso, vestir a camisa de um time grande era uma realização pessoal do atacante. “Sempre foi um sonho meu atuar ou no Remo ou no Paysandu. Fui recebido de braços abertos no Remo”, diz Ró.
Só que para quem vive um sonho, “dormir”, às vezes, é arriscado. Foi que aconteceu. O jogador se machucou no mesmo primeiro turno em que foi contratado. Precisou de um longo período para se recuperar. O tempo passou. E como passou. O Paraense terminou e Ró não conseguiu marcar sequer um gol com a camisa 9 do Remo. A desclassificação do Leão no certame local foi a pancada final. De contratação com status de peso, Ró passou a ter a fama de jogador “chinelinho”.
Aos 29 anos, Ró viu que nem sempre apenas talento é o suficiente: o tributo sorte, muitas vezes, pode se decisivo no futebol. “Pode ser uma questão de sorte, sim. Tudo parece que caminhou para dar errado”, tenta justificar. Já no início do período de amistosos pelo interior, novas contusões. A primeira, inclusive, o deixou de fora da primeira partida em Augusto Corrêa. A segunda não foi nada grave. As circunstâncias no Remo fizeram o jogador refletir. “Eu não me arrependo das escolhas que fiz, em sair do Independente, por ser um sonho de moleque. Mas desejava que as coisas fossem diferentes”, analisa. (Diário do Pará)