Ele não é potente e nem espaçoso. É considerado velho e com design ultrapassado. Em pleno século 21, com os avançados automobilísticos, o Fusca acabou virando sinônimo de gozação. Porém, o Fusca já teve seus tempos de rei. Na década de 70, sendo o primeiro modelo da companhia alemã Volkswagen, ele foi o carro mais vendido da época. Ganhou fama mundial. O tempo passou. Seus concorrentes aderiam tecnologia: ganharam air bags, quinta marcha, ar-condicionado e quatro portas. O Fusca se tornou “Fusquinha”.
A história é semelhante a de um certo clube da região Norte do Brasil, que também já teve seus dias de glória, quando era conhecido como o “Rei da Floresta” e o autêntico Filho da Glória e do Triunfo. “Se fizermos uma comparação com o automobilismo, o Remo está igual a um Fusca, mas com as quatros rodas funcionando muito bem”. A frase é de autoria de Hamilton Gualberto, vice-presidente de futebol do Remo, quando ele acabava de entrar em acordo com o zagueiro Diego Barros sobre as cláusulas do seu contrato. Diego, sendo o jogador mais experiente da equipe, deve assumir a direção do Fusca do Leão dentro da pista dos gramados. Para isso, ganhará, até dezembro, R$ 3 mil. “O mais importante é minha vontade de estar aqui. Temos que entender a situação do Remo”, afirmou.
Do lado de fora, o “mecânico” Sinomar Naves estará sempre pronto para corrigir eventuais defeitos técnicos ou de fabricação. E se alguma peça do Fusca azulino, ao longo das estradas pelo interior do Estado, quebrar, “os novos patrões”, Hamilton Gualberto e Pedro Minowa, compram uma novinha em folha. Sempre mantendo os pés no chão. “O elenco do Remo em 2012 será formado por 10 jogadores da base, 10 regionais e 10 de fora, que pode cair para o número de seis, sete... Isso vai depender do desempenho das peças que temos aqui”, diz Gualberto.
Agora, o torcedor azulino torce para que “as peças” desse carro deem uma arrancada das mais fortes, pois todos sabem: se exigido, qualquer Fusca corre. (Diário do Pará)