O mês de agosto começou. Junto com ele, uma nova expectativa de dias melhores tenta aparecer lá pelas bandas do Baenão. Esperança que começa a nascer na confiança no novo elenco do Leão azul. Mas novo somente para a torcida, devido à pouca exposição no time principal, pois muitos, como Betinho, Reis, Jayme, foram criados nas categorias de base do clube. Outros como Tardely e Diego Amaral são jogadores locais, que pouca ou nenhuma oportunidade tiveram para mostrar o seu futebol. No plantel, a média de idade caiu drasticamente. Até o momento o jogador mais velho – sem contar com o zagueiro Diego Barros e atacante Ró, únicos remanescentes do elenco profissional – tem 26 anos. A maioria absoluta é de jovens atletas que veem no futebol a oportunidade de vencer na vida.
Nem mesmo os dois meses (já beirando os três) de atrasos salariais e a atual situação do Leão - sem divisão, agenda oficial - desanimam os novos detentores da camisa principal do “mais querido”. “A gente tenta esquecer essa situação extracampo e focar no trabalho. Gostamos de jogar futebol. É um sonho de moleque e estamos na batalha por isso”, conta o meia Tardely, de 19 anos, que tem o futebol como única profissão.
O goleiro Diego Amaral, mais velho do time, que já até tem um filho, diz que conta com a ajuda da mãe na hora do aperto. “Ela é um grande suporte”. Diego, com 2º grau completo, até pensa em tentar prestar vestibular para Educação Física. Entretanto, a paixão pelo futebol é mais forte. “É o que eu sei fazer e faço de melhor”, garante, continuando: “Minha meta é levantar o Remo. Depois, ir para fora do Estado e conseguir um salário mais alto. Quero dar do bom e do melhor para meu filho”.
O atacante Jayme, 19 anos, também já terminou o ensino médio. “Se o futebol não der certo, penso em um plano B: fazer faculdade. Mas estou acreditando na volta por cima. Vamos trabalhar para isso”. Outro que se sustenta com o salário de jogador de futebol do Remo é o meia Reis, 18 anos. Tanto ele como o Jayme foram criados nas categorias de base do Leão. Reis, desde os 16 anos de idade, diz já possuir uma história ligada ao clube, apesar de ser um dos que mais se queixam dos atrasos no fim do mês. Mas o garoto pretende construir uma nova e melhor história no Remo. “A diretoria diz querer escrever uma história bonita no Remo daqui pra frente. Queremos não só contar, mas fazer parte dela também”, diz. (Diário do Pará)