14 junho 2011

O Independente garantiu vaga na Série D do Campeonato Brasileiro em campo, ao conquistar o título da Taça Estado do Pará - segundo turno do Campeonato Paraense. Mas a diretoria do clube de Tucuruí pode desistir de disputar o certame nacional, alegando falta de condições financeiras. A primeira fase da competição - que começa em agosto – é regional, mas as seguintes são nacionais e o torneio não tem patrocinadores ou qualquer apoio da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Assim, os custos são arcados pelos clubes. Estima-se que o investimento necessário para a disputa seja de aproximadamente R$ 600 mil, sem contar com a folha salarial.

Se não houver parceiro, além da prefeitura, o Independente desistirá da vaga, que iria automaticamente para o Remo, melhor colocado na classificação geral do Parazão, com 34 pontos. O prazo dado pela CBF para a confirmação do Galo Elétrico expira hoje, às 18 horas. A primeira vaga paraense é do São Raimundo, que foi rebaixado da Série C no ano passado e já garantiu a participação na quarta divisão.

Mas as coisas não serão tão fáceis para os azulinos. Mesmo sem dar certeza de que disputará a Série D, a diretoria do Galo Elétrico garante que vai lutar para viabilizar sua presença na disputa. Segundo seu presidente, Deley Santos, a diretoria está mobilizada para buscar novos patrocinadores. Caso garantam o aporte financeiro, o time estará no torneio.

"Hoje (segunda-feira), o Independente não tem condições de disputar a Série D. Mas isso não significa que estamos fora. Temos até as 18 de manhã (hoje) para confirmarmos oficialmente nossa vaga. Por isso, vamos passar o dia todo mantendo contato com nossos parceiros, incluindo a Prefeitura de Tucuruí e o Banpará, além de empresários que já haviam demonstrado interesse em nos ajudar. Mas se não tivermos condições de bancar viagens, hospedagens, alimentação, não vamos participar", afirmou Deley, que está em Belém desde o início da noite de ontem.

O mandatário, no entanto, reforçou que não tem nada concreto sobre a desistência da vaga. Segundo ele, ninguém no Galo Elétrico gosta da ideia de "presentear" o Remo com a vaga na Série D, principalmente depois que o clube da capital acusou a equipe interiorana de usar um jogador de forma irregular no Parazão - o zagueiro Edílson Belém.

"Estamos providenciando vários patrocínios. Vamos marcar reuniões com gerente de bancos, empresários e quem acharmos que pode nos ajudar para não perdermos essa vaga", reforçou Deley Santos, que em seguida descartou uma possível "venda" da vaga para os azulinos."Não vamos sair por aí pedindo dinheiro para vender a vaga. Se não pudermos jogar a vaga fica em aberto", enfatizou.

O cartola lembrou, porém, que qualquer decisão tomada por ele poderá ser revertida caso outra diretoria assuma o comando do Independente após as eleições previstas para julho. "Agora que conseguimos comprar o clube, os 180 sócios devem eleger um novo presidente assim que terminar o campeonato para dar tempo de resolver tudo antes do início da ‘Série D’, em julho", revelou Deley, que ao que tudo indica deve ser reeleito para o cargo.

No Remo, expectativa para possível participação no torneio
No Remo, ninguém tem a menor sombra de dúvida. É só o Independente apresentar um ofício confirmando sua renúncia à participação na Série D para que a diretoria azulina apresente o clube como substituto imediato no Grupo 2 da competição nacional. A expectativa no clube, que nos últimos dias vem tentando de tudo nos bastidores para escapar do ostracismo provocado pela eliminação precoce no Campeonato Paraense, é enorme.

"Estamos prontos para pegar a vaga de qualquer clube que desista de disputar a Série D. Seja este o clube do Pará ou de outro estado que esteja no Grupo 2", enfatizou Francisco Rosas, diretor de futebol remista, lembrando que o Comercial-PI, representante indicado pela Federação de Futebol do Piauí para representar aquele estado no certame nacional ainda não confirmou sua vaga, pelos mesmos motivos do Independente - falta de recursos financeiros.

A vontade do Leão Azul de participar da competição nacional é tão grande que o clube mantém abertas três frentes nos bastidores para tentar evitar os sete meses de "férias forçadas". Para começar, o clube move ação na Justiça Desportiva com o objetivo de anular o jogo em que foi derrotado pelo Galo Elétrico (2 a 0), pelas semifinais do segundo turno do Parazão. Na próxima segunda-feira, o Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD/PA) julgará o recurso do Remo, que tenta impugnar a decisão do presidente do Tribunal, Antônio Cândido Barra de Britto, que rejeitou a petição azulina.

Enquanto este dia não chega, os remistas também aguardam as desistências de clubes do Piauí ou até mesmo de outros estados, como Rondônia e Roraima, para tentar um lugar na quarta divisão. Além disso, há um grupo de advogados do clube que estuda possíveis brechas no regulamento do Parazão 2011 para reverter a situação.

Uma dessas possibilidades seria uma interpretação "criativa" do regulamento da competição. Segundo os remistas, quando o documento afirma que o representante paraense na quarta divisão brasileira será o clube com melhor índice técnico, exceto aqueles com vagas garantidas nas demais divisões do futebol nacional, não está especificado que este "índice técnico" seja a conquista de um dos turnos ou do vice-campeonato estadual, conforme afirma o Departamento Técnico da FPF (Federação Paraense de Futebol).

Na visão dos azulinos, o tal "índice" pode muito bem ser a pontuação geral da competição. E é justamente neste quesito que o Remo poderia ser favorecido, caso o Independente não vença nenhuma das duas partidas da decisão contra o Paysandu. Atualmente, o Remo lidera a classificação geral do torneio, com 34 pontos, dois a mais que o Galo Elétrico. (Amazônia Jornal)